“Depois do medo, vem o mundo” – Clarice Lispector

Há alguns anos eu comecei a sonhar em fazer um intercâmbio na Inglaterra, de preferência em Oxford. Por várias vezes eu me vi pesquisando sobre outros lugares que eram mais acessíveis, e onde eu teria o mesmo contato com a língua, mas não conseguia ir muito além das pesquisas, porque não era para onde eu sonhava em ir.
Explica-se esse apreço, a soma de vários aspectos, como as paisagens, a história, a literatura e, ligado a este último ponto, CS Lewis, o escritor que tanto me inspira.
Essa, com toda certeza, foi a melhor viajem que já fiz até agora. Eu andava pelas ruas sem acreditar ainda que estava lá, e até agora vendo as fotos e recordando das minhas duas semanas vivendo tudo aquilo, parece ter sido um doce sonho do qual acordei com aquela sensação de que poderia continuar nele por anos rs.
Mais do que uma viajem para a prática do inglês e conhecer um lugar novo, aproveitei para passar mais tempo com Deus e comigo mesma. Estava cansada, mergulhada numa rotina de 3 anos e meio de trabalho e estudo e confusa em algumas questões…



E o tempo todo nessas duas semanas, essa frase citada no início do post, vinha à minha mente: “Depois do medo, vem o mundo”. Ela nunca fez tanto sentido. Eu sempre fui medrosa, fui criada com as pessoas sempre me botando medo em tudo o que eu ia fazer. Entendia que se fico quieta, fico protegida.
Mas havia um impulso, uma força em mim, uma curiosidade que sempre me fez querer sair do ninho. Entretanto, o medo, e as pessoas com a boa intenção de proteger, me impediam.
Quando conheci a Cristo, aprendi verdadeiramente a voar. Não foi do dia pra noite, aos pouquinhos fui confiando cada vez mais que Ele estaria comigo, e isso muda tudo. Isso não significa que eu tenha eliminado totalmente o medo (quem sabe um dia chego a isso), mas ele já não tem mais o poder de me paralisar, esse é o ponto.





É natural sentirmos medo, e na dose certa, ele é essencial para nossa sobrevivência. Gosto de pensar nele como um remédio – se tomo a quantidade certa, me protege. Se exagero, vira veneno. E esse veneno pode me tirar a doce e única sensação de estar viva.
Em um próximo post falarei sobre o meu dia preferido dentro da minha viajem preferida rs. Até lá.